O preparador físico de Jannik Sinner, Umberto Ferrara, se manifestou pela primeira vez sobre o caso de doping desde que ele veio à tona em agosto do ano passado.
Ferrara foi quem comprou a pomada de Trofodermin, usada para uma doença crônica que ele tem, e que Sinner alegou que foi a causa de sua contaminação indireta com a substância proibida clostebol.
Numa longa entrevista ao La Gazzetta dello Sport, Ferrara colocou a culpa no fisioterapeuta Giacomo Naldi.
“Não há dúvida que esse caso causou um sério dano a minha reputação e foi correto esperar ele acaba antes de eu me pronunciar,” disse ele.
“Eu tenho usado Trofodermin por muitos anos por conta de uma doença crônica e eu sempre armazenei ele com a maior cautela. Não é verdade que eu dei o remédio para o Naldi. Eu apenas aconselhei ele a usá-lo porque ele tinha cortado seu dedo e eu alertei ele sobre a natureza desse produto.”
Ferrara disse ainda que não tinha ideia que Naldi havia feito massagens em Sinner sem luvas, até porque ele havia avisado o fisioterapeuta sobre os riscos disso.
“Assim que nos disseram que o clostebol era a substância dopante, percebi de onde ele vinha, e fomos capazes de explicar rapidamente tudo o que tinha acontecido,” disse ele. “De fato, apresentei evidências da minha compra do spray em uma farmácia em Bolonha. Fiquei magoado com a superficialidade com que esse assunto foi tratado, e até mesmo com a má-fé.”
Questionado sobre a forma que Sinner lidou com o processo, Ferrara — que foi demitido e agora trabalha com Matteo Berrettini — rasgou elogios.
“Ele demonstrou uma maturidade extraordinária, apoiada pela convicção de que seus argumentos eram completamente verdadeiros. Sua ética de trabalho e dedicação são muito especiais, o que lhe permite melhorar constantemente. Fiquei profundamente triste com a forma como nossa relação profissional terminou; foi um prazer trabalhar com ele.”