A tenista espanhola Marina Bassols, número 205 do ranking WTA, denunciou em suas redes sociais que vem recebendo ameaças de morte de apostadores esportivos.
A jogadora divulgou prints de mensagens como “Vou te matar”, “Como quer morrer?” e “Estará morta, cuidado por onde anda” — todas recebidas após sua última partida.
“Falo com raiva, mas também com tristeza. Há muitos anos recebo todo tipo de insulto. Mas na minha última partida, não foi só isso; também recebi ameaças de morte,” escreveu a tenista.
“As mensagens que recebemos são ultrajantes e, pior ainda, acabamos nos acostumando com elas. Somos pessoas que entram em quadra para competir, para dar tudo de nós, para trabalhar pelos nossos objetivos, e eu não sou responsável pelas apostas de ninguém.”
O caso de Bassols é mais um capítulo de um problema que se tornou endêmico no tênis. Apenas em março deste ano, diversos tenistas sofreram com o mesmo problema.
A italiana Lucrezia Stefanini, 138 do mundo, revelou ter recebido ameaças de morte pelo WhatsApp antes de uma partida das qualificatórias de Indian Wells, com imagens de armas de fogo e dados pessoais de sua família. Dias depois, a húngara Panna Udvardy, 95 do ranking, passou por situação idêntica antes de um jogo do Challenger de Antalya, na Turquia. As mensagens incluíam o endereço de sua casa e os nomes de familiares, com a exigência explícita de que ela perdesse a partida.
O FBI abriu investigação sobre os dois casos, e a WTA chegou a apurar uma possível violação de dados pessoais de suas jogadoras.
Os casos não se limitam a jogadoras de ranking mais baixo. A britânica Katie Boulter relatou ter recebido mensagens como “espero que você tenha câncer” e ameaças contra a família durante Roland Garros de 2025. A alemã Eva Lys também denunciou ameaças constantes.
No circuito masculino, o argentino Roman Burruchaga recebeu ameaças contra ele e sua família antes de uma semifinal do Challenger de Rosário, com mensagens dizendo que tinham “armas suficientes para silenciar você e sua família”.
Um relatório da Signify Group, que monitora abusos nas redes sociais contra tenistas, analisou 1,6 milhão de postagens e comentários direcionados a jogadoras durante a temporada de 2024. Quase 8 mil foram classificados como abusivos, violentos ou ameaçadores. Apostadores irritados foram responsáveis por 40% de todo o conteúdo abusivo detectado.











