Ex-número 4 vê Alcaraz “sem amarras” e aponta duas dúvidas para o US Open

Johanna Konta avalia com cautela a volta de Carlos Alcaraz ao circuito profissional no US Open. Para a ex-número 4 do mundo, o espanhol chega a Nova York transmitindo leveza, mas com duas perguntas no ar: como o corpo vai reagir à exigência dos jogos oficiais e o que virá na sequência da temporada e em 2027.
Alcaraz não disputa uma partida de simples desde 14 de abril, quando venceu Otto Virtanen em Barcelona e depois abandonou o torneio por um problema no punho direito.
O atual número 3 do ranking perdeu os grandes eventos do saibro, incluindo Roland Garros, não jogou a grama de Wimbledon e ainda ficou fora de Canadá e Cincinnati. Ele reapareceu nas quadras na chave de duplas mistas do US Open ao lado de Serena Williams, ganhando ritmo competitivo antes da estreia em simples.
Na visão de Konta, a cabeça do espanhol pode ser um trunfo imediato. “Tenho a sensação de que ele joga sem amarras”, disse à Eurosport. “Falamos de um jogador que já briga com os maiores em feitos pela idade que tem. Quando entra em quadra, transmite alegria e uma enorme sensação de liberdade. Dá para acreditar que ele voltou porque ama competir e quer estar ali.”
O retorno acontece em condições duras: logo de cara, partidas em melhor de cinco sets após mais de quatro meses sem simples. Konta pondera que isso faz diferença e torna a primeira pergunta inevitável. “Treino é treino, jogo é outra história. Ele certamente cumpriu as metas físicas na preparação, mas não dá para reproduzir a tensão, os nervos e o estresse de uma partida valendo”, afirmou.
Para além de Nova York, a britânica amplia o olhar e elenca o segundo ponto de atenção. “Também quero ver como ele vai responder no restante da temporada e em 2027”, completou.
Aos 23 anos, Alcaraz desembarca nos Estados Unidos como atual campeão do torneio, título que o levou ao número 1 no ano passado após vencer Jannik Sinner na final. Em 2026, o início foi impecável: conquistou o Australian Open, completando o Carrer Grand Slam, ergueu o troféu em Doha e somava 22 vitórias em 25 jogos antes da lesão interromper a sequência.
De volta à agenda, o espanhol anunciou em 20 de agosto que jogaria o US Open, depois de semanas de treinos em Múrcia, com sessões que incluíram trabalho com Holger Rune. A passagem pelas mistas, em que ele e Serena caíram para Belinda Bencic e Flavio Cobolli nas quartas, serviu para sentir o clima de competição diante do público.
Mesmo esperando eventuais altos e baixos na largada, Konta acredita que o pacote físico e técnico do espanhol lhe dá margem para se ajustar em quadra. “Se aparecerem momentos difíceis, não vejo motivo para alarme. Pela força atlética e pelo que ele é capaz de fazer com a bola, há espaço para errar um pouco até encontrar o ritmo”, avaliou.
Alcaraz estreia contra o russo Roman Safiullin. Em uma eventual caminhada, nomes como Ben Shelton ou Arthur Fils podem surgir nas quartas de final, enquanto Novak Djokovic está na mesma chave e seria um possível adversário na semifinal.
