McEnroe se junta a Djokovic e pede mudanças nas regras do tênis

John McEnroe entrou no debate sobre a duração das partidas e se alinhou a Novak Djokovic na ideia de encurtar os jogos em grandes torneios. O ex-número 1 do mundo defendeu que os Grand Slams adotem o super tie-break em caso de 2 a 2, em vez de um quinto set completo, e apontou a mudança de consumo do público como fator central nessa discussão.
“A atenção das pessoas nunca foi tão curta,” disse McEnroe.
Para o americano, faz sentido o tênis refletir sobre o formato atual. Ele destacou ainda ser curioso que a proposta de acelerar as partidas tenha vindo de Djokovic, conhecido por resistir em maratonas e por construir muitos triunfos na base do fôlego e da recuperação.
“Mas o Novak venceu tanto justamente porque conseguia aguentar mais do que os outros. Ele foi mais bem preparado fisicamente do que qualquer um e ganhou partidas que duraram cinco horas ou mais. Era muito mais difícil derrotá-lo em jogos de melhor de cinco sets do que em melhor de três,” disse McEnroe.
Djokovic reacendeu o tema ao sugerir mudanças no sistema de pontuação: sets disputados até quatro games, com ponto decisivo no 40-40, para reduzir a duração e manter as partidas abaixo de duas horas. Formatos semelhantes já são testados no circuito, como no Next Gen ATP Finals, que adota sets até quatro, tie-break no 3-3 e jogos sem vantagem, em ponto único.
McEnroe apresentou sua própria proposta específica para os Majors. “Nos Grand Slams, eu recomendaria um super tie-break quando o placar estivesse dois sets a dois, em vez de um quinto set completo.”
O debate ganhou combustível também pelo momento recente de Djokovic. No último US Open, o 24 vezes campeão de Grand Slam caiu na estreia para Mariano Navone em uma batalha de 4h36, por 7/6 (5), 5/7, 4/6, 6/2 e 6/1. Foi sua eliminação mais precoce em um Major desde o Australian Open de 2006.
As ideias dividem opiniões. Para os tradicionalistas, o quinto set é parte essencial da mística dos Grand Slams e trocar a parcial decisiva por um super tie-break tiraria parte do drama. Por outro lado, partidas que avançam madrugada adentro e ultrapassam quatro ou cinco horas desafiam torcedores, emissoras e os próprios jogadores.
Com experiências já em curso no circuito de base e a preocupação em dialogar com novas gerações, a discussão sobre ajustes de formato deve seguir em alta. Seja encurtando sets ou alterando o desfecho do jogo, McEnroe e Djokovic concordam em um ponto: o tênis precisa encontrar o equilíbrio entre tradição e o ritmo de consumo atual.
