Pai de Flavio Cobolli reage a ameaça de morte: “Algo precisa ser feito”

Stefano Cobolli, pai e técnico de Flavio Cobolli, veio a público após o filho receber uma ameaça de morte nas redes sociais logo depois da estreia em Xangai. O italiano decidiu expor a mensagem e fez um apelo para que pais acompanhem mais de perto o comportamento dos filhos na internet.
Flavio, de 24 anos e atual número 7 do mundo, caiu na primeira rodada do Masters 1000 chinês diante de Adrian Mannarino por 6/1, 4/6 e 6/3. Dias antes, também havia sido derrotado na estreia em Pequim por Roman Safiullin. A agressão virtual, porém, não teve relação com o jogo em si e chegou por mensagem privada ao perfil de Stefano, com ofensas, desejo de doença e menções à briga do jogador por vaga no ATP Finals.
Antes de tratar do ataque, o treinador publicou um recado de apoio ao filho. “Boa, Fla. Você lutou e deu tudo. Foque no próximo,” escreveu.
Em seguida, explicou por que resolveu não ignorar a investida desta vez. “Eu normalmente tento apagar esses comentários sem dar atenção, e são muitos. Mas algo precisa ser feito. Talvez sair das redes sociais? Essa é certamente uma solução, e eu vou pensar nisso,” disse Stefano.
Stefano afirmou que, por ora, prefere encarar o problema em vez de se afastar das plataformas. “Por ora, ainda sinto que devo enfrentar esse problema, se possível, e talvez a jovem pense duas vezes da próxima vez.”
O perfil que enviou a ameaça aparenta ser de uma mulher de 19 anos, mas não há confirmação de autenticidade. Há também a possibilidade de ser uma conta falsa. Até o momento, não há indício de ligação do autor com apostas esportivas.
O técnico reforçou o recado aos responsáveis. “Espero que essa mensagem chegue aos pais dela e aos pais de muitos jovens que usam as redes sociais da maneira errada. Nós somos fortes, somos atletas, e superamos obstáculos muito maiores do que um comentário no Instagram, mas há muita gente que pode sofrer com isso, e isso não está certo,” disse.
“Então, queridos pais, vamos prestar atenção também ao que nossos filhos fazem nas redes sociais. Acho que isso é importante,” afirmou.
Casos envolvendo jogadores italianos têm se repetido. No US Open deste ano, Matteo Berrettini contou que o irmão, Jacopo, recebeu ameaças de morte durante Roland Garros, inclusive com mensagens enviadas ao número pessoal e intimidações à família. Lucrezia Stefanini também foi alvo em Indian Wells, quando recebeu mensagens com foto de arma e referências a parentes.
Relatórios recentes apontam a dimensão do problema. Em 2025, WTA e ITF identificaram 458 tenistas diretamente atacados ou ameaçados e cerca de 8 mil publicações e comentários abusivos, sendo 40% ligados a apostadores irritados. Um novo levantamento, divulgado em julho de 2026, informou que 35 contas foram encaminhadas às autoridades após investigações sobre ameaças online feitas em 2025.
