Campeão de Roland Garros e finalista em Wimbledon, Alexander Zverev reacendeu a conversa sobre o topo do ranking. Para Andrea Petkovic, o momento do alemão vai além de uma boa fase: é a abertura de uma rota real para chegar ao número 1. A ex-jogadora vê 2026 como o ano de encurtar a distância e preparar o salto definitivo em 2027.
Em entrevista ao Sport1, Petkovic destacou a transformação recente do compatriota, agora com confiança de campeão de Grand Slam e desempenho mais sólido nas grandes semanas. “Acho que essa janela de oportunidade definitivamente existe. Se o Sascha mantiver o nível que mostrou em Wimbledon, a possibilidade é real”, afirmou.
O recado vem acompanhado de cautela. Jannik Sinner e Carlos Alcaraz sustentam a nova hierarquia do circuito e não dão sinais de arrefecer. Segundo Petkovic, superar essa dupla exigirá consistência de 52 semanas e não apenas picos de excelência. “Claro que Sinner e Alcaraz seguem ditando o ritmo, então não será nada simples”, disse.
Para ela, o ponto central está na evolução de Zverev. Por anos, o alemão alternou potência com momentos de postura mais conservadora em partidas grandes. Agora, a leitura de Petkovic é de ruptura com o passado. “No começo eu tinha a sensação de que o velho e o novo Zverev estavam na quadra ao mesmo tempo. Com o passar da temporada, o novo estilo foi se impondo”, analisou.
Wimbledon serviu como prova final dessa virada, inclusive numa superfície que sempre cobrou mais do seu jogo. “Wimbledon finalmente me mostrou que agora ele acredita totalmente nesse jogo. Não é mais um ajuste de curto prazo, é a nova identidade dele em quadra. Está mais maduro, mais sólido e sabe exatamente o caminho que quer seguir”, completou.
A ambição de ser número 1 não é nova para Zverev. Em outras ocasiões, ele chegou a flertar com o topo, mas não confirmou. No ano passado, com a suspensão de Sinner alterando o cenário, o alemão viu uma oportunidade de se aproximar e optou por disputar a gira sul-americana. Os resultados, porém, não vieram na medida esperada e a arrancada também não se consolidou nos primeiros Masters 1000.
Hoje, o contexto é outro. A barreira do primeiro Slam foi derrubada e a sensação é de um tenista mais leve para mirar objetivos maiores. A diferença para Sinner ainda é grande, na casa de 5 mil pontos, o que por si só pede pés no chão. A gira norte-americana pode oferecer margem para cortar parte do fosso: Zverev defende 900 pontos, enquanto Sinner protege mais e Alcaraz ainda mais do que o italiano. Se o alemão mantiver o nível recente, há espaço para encostar um pouco.
Mesmo assim, Petkovic enxerga a virada mais adiante. O mapa de pontos favorece Zverev depois do US Open, quando ele terá pouco a defender até o fim da temporada — cerca de 1.080 pontos. É nesse período, com muitos torneios grandes em jogo, que o alemão pode somar pesado e fechar 2026 bem mais perto da liderança.
A ideia, segundo a ex-jogadora, não é necessariamente alcançar Sinner, mas reduzir substancialmente a diferença e carregar esse “colchão” para 2027. Se mantiver por meses a versão mais agressiva e estável que exibiu em Paris e Londres, Zverev entra no próximo ano com margem real para lutar semana a semana pelo topo.











