Kyrgios é suspenso por só um mês após testar positivo para cocaína. Faz sentido?
Nick Kyrgios recebeu suspensão de apenas um mês após testar positivo para cocaína – e, na prática, já está liberado para voltar ao circuito.
A decisão, anunciada hoje pela Agência Internacional de Integridade do Tênis, colocou o australiano de 31 anos em condição de competir imediatamente e abriu um debate sobre a aplicação das regras antidoping no tênis.
O ponto central é como a pena caiu ao patamar mínimo previsto. O código antidoping do esporte prevê suspensão de até dois anos em casos de teste positivo. Quando o atleta comprova que o consumo ocorreu fora de competição, a sanção pode ser reduzida para três meses. E, se houver adesão a um programa de reabilitação, esse período pode baixar para um mês.
Kyrgios admitiu o uso em contexto pessoal, em junho de 2026, poucos dias antes do início do ATP 250 de Maiorca, e aceitou a suspensão no dia 4 de agosto, o que explica sua liberação imediata.
Esse enquadramento jurídico ajuda a entender o desfecho, mas não evita a controvérsia. Entre os jogadores, a reação foi de espanto, e cresceu a crítica de que a decisão seria branda demais. A comparação mais citada é a de Daniel Evans: em 2017, o britânico também testou positivo para cocaína e, mesmo alegando uso fora de competição, recebeu um ano de suspensão. O contraste alimenta a percepção de falta de uniformidade na interpretação de casos semelhantes.
Na prática, a linha adotada no processo de Kyrgios valoriza a cooperação do atleta e a comprovação de que a substância não foi usada para competir. Para o torcedor, isso significa que a presença do australiano nas próximas semanas volta a ser uma possibilidade real, enquanto o debate sobre o grau de rigor e a consistência das punições deve seguir em alta no circuito.
