Draper surpreende treinando no Rio e indica retorno em 2027

Jack Draper, ex-número 4 do mundo, voltou a bater bola nesta semana e escolheu um cenário inesperado: o saibro do Rio de Janeiro Country Club, em Ipanema.
A reaparição chama atenção porque o britânico havia interrompido a temporada em agosto, planeja competir apenas em 2027 e raramente utiliza o piso lento como base de preparação.
O retorno aos treinos no Brasil vira um ponto de virada em meio a um longo processo de recuperação física e mental. Em setembro, Draper já havia sinalizado que precisava de pausa prolongada para se recompor e voltar sem limitações. A escolha do saibro e de um ambiente fora do circuito europeu e norte-americano sugere um recomeço cauteloso, com foco em retomar sensações e volume de quadra, etapa que antecede qualquer definição de calendário.
A mudança de cenário também ganha peso pela trajetória recente. Em 2025, Draper viveu seu auge, com título de Indian Wells, vice em Madri e o quarto lugar no ranking em junho. A sequência de problemas físicos a partir de 2026, porém, freou a ascensão. O canhoto de 24 anos convive com um edema ósseo no braço esquerdo, que provocou paradas sucessivas, e relatou desgaste mental após as lesões.
Os números de 2026 explicam a dimensão do declínio e por que a retomada precisa ser construída com paciência. Foram apenas 15 jogos e oito vitórias no ano, sem participação nos quatro Grand Slam. O melhor resultado veio na grama de Eastbourne, com semifinal, e houve quartas em Indian Wells, campanha que incluiu uma vitória marcante sobre Novak Djokovic antes da queda diante de Daniil Medvedev. Depois da boa fase na Califórnia, somou apenas três triunfos no circuito.
A queda de rendimento foi acompanhada por uma descida brusca no ranking: hoje ele ocupa a 157ª posição e não conta mais com o benefício do ranking protegido, o que tende a tornar o recomeço mais duro na montagem de chaves e no acesso a grandes eventos. Sem previsão oficial de volta, qualquer indício de treino consistente ganha relevância, principalmente quando aparece em um contexto diferente do que o atleta costuma adotar.
Outro ponto que pesa na reconstrução é a manutenção do vínculo com Andy Murray. Integrante da equipe desde maio, o escocês manifestou a intenção de seguir ao lado do compatriota em 2027, mesmo sem ter definido seu próprio calendário.
A opção atual pelo saibro chama ainda mais a atenção porque Draper praticamente não frequenta o circuito sul-americano nesta época do ano e nunca jogou os ATPs de Buenos Aires, Rio de Janeiro ou Santiago. Em 2026, sua única partida no piso foi em Barcelona, interrompida por um problema no joelho direito. Não há, por enquanto, explicação oficial para a estadia no Rio nem indicação de quanto tempo ele permanecerá treinando na cidade.
