ANÁLISE: O maior problema de João Fonseca: o peso da pressão

O jornalista José Moron, do site espanhol PuntoDeBreak, fez uma análise interessante sobre o momento que vive João Fonseca, fazendo um paralelo com a história de Alexander Zverev.

Intitulado “João Fonseca tem um problema”, o artigo defende que o brasileiro está sofrendo com uma pressão monumental dos veículos de imprensa brasileiros e dos fãs, o que pode se transformar numa bola de neve difícil de controlar caso ele não consiga lidar bem com a situação. 

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“Lembram do caso de Alexander Zverev?,” diz o texto. “Hoje, talvez, poucos se recordem, mas é uma situação bastante parecida com a de João, guardadas as devidas proporções. Sascha surgiu quando tinha apenas 17 anos, fazendo um torneio enorme em Hamburgo, chegando às semifinais e derrotando quatro jogadores do Top 100 no caminho. O impacto gerado na Alemanha foi de outro nível.”

O artigo lembra que muitos começaram a comparar Zverev com Boris Becker e buscar nele um novo campeão de Grand Slam que a Alemanha não via há tempos. 

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“Uma nação sedenta por um grande campeão colocou sobre seus ombros a pressão de conseguir esse feito. Ali nasceu o problema de Zverev. Um problema que, 12 anos depois, ele ainda carrega em sua mochila pessoal — agora dez vezes mais pesada, quase insuportável,” escreveu Moron.

“O próprio Zverev já disse em diversas ocasiões que a pressão que recebeu (e ainda recebe) em seu país para ganhar um Grand Slam o condicionou e lhe trouxe uma carga mental que ele não queria, mas que acabou afetando seu desempenho em quadra. Talvez ele mesmo tenha absorvido essas expectativas sem perceber e passou a se imaginar conquistando grandes títulos quando ainda nem havia chegado perto deles. Com o passar dos anos e com as decepções nos Grand Slams, a bola de neve foi crescendo até atingir um ponto em que começou a descer a ladeira de forma completamente descontrolada.”

Para o jornalista espanhol, Fonseca já está passando por uma situação parecida, que escalou a partir de seu título do ATP 250 de Buenos Aires no ano passado. 

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“O Brasil, um país que desde a despedida de Guga Kuerten não voltou a ter um número 1 do mundo nem um campeão de Grand Slam, rapidamente o colocou em um pedestal. A imprensa mundial, incluindo nós, também se empolgou com seu tênis e com sua figura. Todos estavam encantados com Alcaraz e Sinner — e, se fosse possível somar João a esse grupo, melhor ainda. O hype estava nas alturas. As expectativas, ainda mais. Quando ele venceu Buenos Aires há exatamente doze meses, tudo subiu para outro nível.”

Moron lembra que Fonseca já chegou até a chorar em quadra depois de uma vitória, reconhecendo que a pressão da imprensa brasileira, em alguns momentos, o afeta. 

“Imagine o que deve ser para um garoto tão jovem abrir os meios de comunicação do seu país ou ligar a televisão e se ver ali, sendo analisado por jornalistas e comentaristas, colocado ao lado de uma lenda do tênis brasileiro como Kuerten e tratado como futuro campeão de Grand Slam,” diz o texto.

“Se somarmos a isso o fato de que João ainda está muito longe de realmente disputar um Grand Slam, a situação pode ser dura para ele, que pode sentir que está decepcionando as pessoas ou até sofrer mentalmente por não cumprir as próprias expectativas criadas ao seu redor. Isso acaba se refletindo em torneios ruins, derrotas inexplicáveis, irregularidade no seu tênis e partidas “estranhas”, misturadas com outras em que consegue apresentar seu melhor nível, como aconteceu em Basileia no ano passado.”

Moron diz que ao vencer Buenos Aires há 12 meses começou a se formar uma bola de neve que passou a rolar. A cada torneio em que ele não corresponde às expectativas, ela cresce um pouco mais. 

“Ele precisa encontrar uma solução, de uma forma ou de outra, para evitar que essa bola se torne tão grande quanto a que Zverev carrega. Isso é algo que só ele poderá resolver. Ninguém mais pode ajudá-lo, nem mesmo seu entorno. A imprensa brasileira continuará falando sobre ele. É possível que aqueles que o exaltaram há um ano, e que hoje sejam mais prudentes pelo pouco tempo dele no circuito, acabem passando a criticá-lo com o tempo, como também aconteceu com Zverev, que teve desgastes com parte da imprensa alemã e com algumas lendas do tênis de seu país,” diz o texto.

“Esse é um desafio com o qual João também terá que lidar. O problema está em digerir da melhor maneira possível essa pressão externa — a que mais pode prejudicá-lo. Ele precisa tentar se abstrair do que dizem sobre ele e seguir seu próprio caminho. Seu entorno pode ajudá-lo a manter os pés no chão e evitar desvios, mas apenas ele poderá encontrar uma solução e impedir que isso o afete dentro de quadra.”

Para o jornalista, a forma como Fonseca vai lidar com essa situação vai determinar seu sucesso no futuro. E, para ele, há apenas dois caminhos: ou ele sai fortalecido como um tenista extremamente sólido em todos os aspectos, ou acaba ficando pelo caminho. 

“Tudo ou nada, como dizem alguns. Quando alguém desponta tão jovem, infelizmente entra em uma estrada com apenas essas duas possibilidades.”



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