Por trás do troféu de Wimbledon erguido por Linda Noskova há uma história de sacrifício que poucos imaginavam.
Após a filha se sagrar campeã em Londres, Drahoš Nosek, pai da tenista tcheca, relembrou a trajetória de extrema pobreza que a família enfrentou para transformar a jovem em uma das melhores jogadoras do circuito – dos tempos em que dormiam em estações de trem até a conquista do título mais prestigiado do tênis.
Para Nosek, ver a filha campeã ainda parece difícil de assimilar. Ele confessa que jamais imaginou viver um momento assim e lembra que, desde muito cedo, os treinadores percebiam em Linda um talento diferente – sobretudo pela facilidade de aprender rápido e executar em quadra tudo o que era pedido, sem precisar repetir as instruções.
O caminho até o topo, no entanto, esteve longe de ser simples. O pai da campeã conta que o começo foi duríssimo. Ele e a esposa haviam recomeçado a vida após se divorciarem de relacionamentos anteriores, praticamente do zero, sem patrimônio e com uma situação financeira precária.
“Começamos sem quase ter o que comer nem onde morar,” disse ele em entrevista ao portal iSport.cz. Na época, Nosek trabalhava como chefe de estação, mas o salário não bastava para sustentar a família – ele chegou a recolher sucata para complementar a renda e cobrir as despesas mais básicas.
A situação só começou a melhorar após o falecimento dos pais de Nosek: a venda de uma pequena casa herdada permitiu quitar dívidas e comprar um carro para viajar aos torneios. Até então, a família aproveitava que o trabalho dele dava acesso a viagens de trem e fazia verdadeiros sacrifícios para reduzir custos.
Nos primeiros anos, chegaram a dormir os quatro juntos em estações ferroviárias antes das competições, enquanto outras jovens promessas apareciam acompanhadas de famílias com muito mais recursos.
Num inverno rigoroso, Nosek passou horas retirando neve de uma quadra completamente coberta apenas para que Linda pudesse treinar. Depois de limpar o piso durante toda a manhã, pai e filha realizaram a única sessão prevista para aquele dia. “Em toda a sua vida, ela nunca disse que não queria treinar,” disse.
O pai da campeã descreve aqueles cinco ou seis anos como uma aposta total do casal no futuro esportivo da filha. Ele reconhece que se emociona ao lembrar especialmente o papel da esposa, Ivana, falecida em 2024 após uma longa doença. Perdê-la, admite, foi um dos momentos mais difíceis de sua vida – e o crescimento de Linda no tênis foi um dos motivos que o ajudaram a seguir em frente.










