A queda para Ben Shelton nas oitavas de final do Masters 1000 de Montreal voltou a escancarar o desafio que João Fonseca ainda precisa superar para dar o próximo passo: competir com constância diante dos melhores do mundo. Em um jogo marcado por erros e nervosismo, o brasileiro foi derrotado pela segunda vez em dois confrontos com o norte-americano.
Aos 19 anos e prestes a completar 20, Fonseca vive fase de consolidação no circuito, mas ainda esbarra quando enfrenta a elite. Seu retrospecto contra tenistas classificados no top 10 ajuda a contar essa história: são apenas duas vitórias em nove partidas, um aproveitamento pouco acima de 20%. O recorte reforça a percepção de que a regularidade ainda não acompanha o talento e a potência que o carioca já exibiu em várias semanas.
As duas exceções que sustentam o saldo positivo foram relevantes. Em Melbourne, no início de 2025, ele derrubou Andrey Rublev na estreia do Australian Open. Em Paris, na Roland Garros deste ano, protagonizou a vitória mais expressiva da carreira ao virar para cima de Novak Djokovic na Philippe-Chatrier, em atuação de altíssimo nível.
Nos demais encontros recentes com a cúpula do ranking, prevaleceram as derrotas: para Jannik Sinner em Indian Wells, Carlos Alcaraz em Miami, Alexander Zverev em Monte Carlo, além dos reveses do ano passado para Jack Draper em Roland Garros e Taylor Fritz em Eastbourne. A sequência mostra que, quando a exigência sobe, falta transformar a agressividade em pontos com mais eficiência e manter a cabeça no lugar nos momentos de pressão.
No ranking, Fonseca já foi 24º e hoje aparece em 27º. O caminho para encurtar a distância até a primeira prateleira passa por melhorar a gestão dos pontos importantes, reduzir oscilações entre sets e aproveitar melhor as chances contra cabeças de chave. O circuito, porém, ainda joga a favor: há tempo para amadurecer e ajustar rotas.
Os próximos compromissos oferecem um termômetro claro. Primeiro, o Masters 1000 de Cincinnati. Em seguida, o US Open, que começa no domingo, 30 de agosto, em Nova York. Depois de Montreal, o brasileiro chega às quadras norte-americanas com a missão de virar a chave: competir mais limpo, controlar as emoções e, sobretudo, mudar a escrita diante dos top 10.
Se repetir o nível do triunfo sobre Djokovic e encontrar um equilíbrio mais constante, Fonseca tem ferramentas para transformar boas atuações em vitórias de peso. É isso que pode redefinir seu teto já nas próximas semanas.










