Berrettini diz que apostadores ameaçaram sua família: “É preciso fazer algo”

Depois de vencer Stan Wawrinka em sua estreia no US Open, o italiano Matteo Berrettini fez um duro relato sobre o impacto das apostas no tênis e revelou que sua família recebeu ameaças de apostadores, com episódios ocorridos durante Roland Garros.
O tema ganhou ainda mais força após o anúncio da parceria do US Open com a empresa Kalshi, de mercados preditivos e fundada pela brasileira Luana Lopes Lara. Questionado sobre o assunto, o italiano afirmou que foi pego de surpresa e defendeu medidas mais firmes de proteção aos atletas.
“Eu nem sabia que havia um patrocinador assim. É uma pergunta complicada, um tema complicado,” disse Berrettini.
Segundo o ex-finalista de Wimbledon, mensagens intimidatórias se tornaram parte do dia a dia de quem compete no circuito. Ele contou que tanto ele quanto o irmão já foram ameaçados por conta de resultados.
“Os jogadores — e eu também — já dissemos no passado que recebemos mensagens, e eu vivi momentos em que realmente não me senti confortável jogando, com gente interrompendo a partida e fazendo coisas que, na minha opinião, não têm nada a ver com tênis,” disse.
Berrettini relatou textos de ódio recebidos logo após vitórias e citou exemplos explícitos. “Acho que devemos proteger os jogadores e fazer de tudo para criar um ambiente seguro para todos. Sim. Ganhei uma partida e escreveram coisas como: ‘Matteo é tão ruim que, se você não disser para ele perder, vamos matar sua família’, ou ‘vamos fazer isso ou aquilo’. Nos ameaçaram,” afirmou.
Apesar da crítica, ele não descartou que o ambiente regulado possa existir, desde que a integridade vença o impulso do vício. “Definitivamente é preciso fazer algo. Se for bem feito, se for conduzido de forma controlada — quando falo de apostas, sem levar ao vício — pode até ser divertido. Pessoalmente, nunca fiz isso na vida e não acho que vá começar. Não gosto de cassinos, não gosto desse tipo de coisa,” disse o italiano.
O alerta se estende especialmente aos mais jovens do circuito. “Nós temos trinta anos, somos adultos, mas quando penso nas meninas e na gente mais jovem, receber esse tipo de mensagem pode ser assustador. Somos tenistas, então é importante que sejamos protegidos,” disse Berrettini.
