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US Open

Moutet desabafa após abandonar o US Open: “Jogar sem dor não existe”

Por Redação Brasil Tênis

Corentin Moutet deixou a quadra do US Open mais cedo e, em seguida, abriu o jogo sobre os limites do corpo no tênis profissional. Após abandonar a partida contra Dane Sweeny por problemas no punho, o francês fez um relato duro sobre a rotina de dores no circuito e apontou para uma realidade que, segundo ele, já faz parte do dia a dia dos jogadores.

Em coletiva, Moutet contou que a lesão no punho o acompanha há meses e que os esforços para competir cobraram um preço alto.

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“É o meu punho. Incomoda faz tempo e não me larga apesar de todos os esforços que estamos fazendo. Não sei bem o que dizer, estou há muito tempo com dor. Desde Viena, no ano passado. O problema é que tentei jogar e forçar sempre. E isso gerou dores em outras partes. Em Cincinnati decidi fazer uma pausa, largar a raquete e me preparar para aqui. Trabalhei muito fisicamente, sem bater na bola. Foi longo, foi duro e é frustrante não estar pronto para jogar o último Grand Slam do ano,” disse Moutet.

Mesmo abalado, o francês ressaltou que segue motivado e grato pela carreira. Ele reconhece que chegou ao US Open sem as referências ideais de jogo, algo que pesou na decisão de interromper a partida.

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“Ainda assim, me sinto sortudo pela vida que tenho. Me senti sortudo por poder entrar em quadra hoje, apesar de tudo. Depois do meu jogo contra Jódar em Montreal, eu nem conseguia treinar com intensidade. Tentei aproveitar ao máximo, mas neste nível é muito difícil chegar sem referências. Cometi muitos erros, faltaram automatismos. Trabalho duro todos os dias. Estou no circuito, vivo da minha paixão. Claro que quero mais: um ranking melhor, mais vitórias e menos dor. O tênis me deu muitos presentes, mas é frustrante,” disse.

Moutet também falou sobre a intensidade do tênis atual, um tema cada vez mais recorrente no circuito. Para ele, a escalada física no circuito empurra o corpo além do suportável e cria um ambiente em que as dores se tornam inevitáveis.

“Não temos noção da intensidade do nosso trabalho. O esporte de alto rendimento é muito pesado para o corpo. Levamos nossos corpos ao limite, até além do limite. É inevitável que haja dores. O corpo não foi feito para isso. Não é só bola pesada ou quadra mais lenta. Também é porque o nível dos jogadores é cada vez mais alto. O nível físico é cada vez maior,” disse ele. “Por isso, praticar nosso esporte exige demais. E, para isso, é preciso treinar cada vez mais. É um círculo vicioso. Mas eu gosto de superar meus limites e ir longe no esforço. É isso que me desafia todos os dias.”

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Ao falar sobre o dia a dia no circuito, o tenista foi direto ao ponto sobre a necessidade de competir mesmo em condições físicas aquém do ideal, algo que, na visão dele, é regra e não exceção.

“Quando você não joga, não tem trabalho. Por isso a maioria joga lesionada. Jogar sem dor não existe. É preciso achar o equilíbrio entre o que é razoável e o que não é. Tomei decisões em que acho que não era razoável jogar, mas fiz porque amo este esporte e tinha metas ambiciosas,” disse Moutet.

“Às vezes a conta chega. É preciso saber largar a raquete e ser prudente, algo que eu não consegui fazer. Agora vamos sentar com minha equipe e ver o que acontece. Hoje, ainda assim, fiquei mais de duas horas em quadra. E há menos de uma semana eu jogava trinta minutos por dia com bolas moles. É um sinal bom para o futuro, espero.”

SOBRE O AUTOR

Redação Brasil Tênis

A Redação Brasil Tênis é responsável pela produção e edição do conteúdo publicado no site, com foco na cobertura diária do circuito profissional de tênis, análise de resultados, bastidores e contextualização do esporte para o público brasileiro.

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