A maré virou de vez para Alexandra Eala. Campeã do WTA 500 de Washington e recém-chegada ao top 20, a filipina de 21 anos desembarcou em Cincinnati como cabeça 17 e com agenda cheia dentro e fora das quadras.
Entre treinos e compromissos, ela admitiu que a rotina mudou e que ainda está se adaptando ao novo status.
“Estou aprendendo a lidar com a fama. Tem dia que pesa, tem dia que é divertido. No fim, é uma loucura boa e eu tento aproveitar”, disse Eala antes de abrir a semana no WTA 1000.
O empurrão veio de duas semanas intensas no piso duro norte-americano. Depois de vencer Jessica Pegula na final de Washington, Eala somou mais vitórias em Toronto, chegando às oitavas, até parar diante de Belinda Bencic por 6/4 e 6/0. “Cheguei a Toronto muito rodada e senti o cansaço no jogo com a Bencic”, reconheceu. No período, emendou sete triunfos seguidos e consolidou a melhor fase da carreira.
Em Cincinnati, a filipina estreia já na segunda rodada contra a romena Elena-Gabriela Ruse. O duelo traz lembranças recentes: no único encontro entre as duas, no US Open de 2024, Eala foi superada. “Sei o que esperar e o que preciso ajustar. Faz parte desse processo de amadurecer e competir com constância”, afirmou.
Longe de casa por boa parte do ano, Eala contou que só percebeu a dimensão do que vem acontecendo quando voltou às Filipinas. “A gente vê comentários e números nas redes, mas estar lá e conversar com quem te acompanha é outra coisa. Aquilo abriu meus olhos para o impacto que o tênis está tendo por lá”, disse.
O crescimento da popularidade rendeu até comparações com Manny Pacquiao, maior ídolo esportivo do país. A tenista, que cresceu assistindo às lutas do ex-campeão mundial de boxe, tratou o paralelo com cautela.
“É uma honra enorme, mas são caminhos diferentes. O que ele representa é gigante, e eu ainda estou muito, muito longe desse patamar”, comentou. Ao mesmo tempo, ela acredita que o esporte pode unir o país: “Quem sabe a minha trajetória também ajude a juntar as pessoas em torno do tênis”.
Com a agenda mais cheia e a vitrine maior, Eala repete um mantra para manter os pés no chão. “Nada disso teria acontecido sem trabalho, e nada vai continuar se eu não seguir trabalhando. Essa fase me fez crescer e olhar para tudo de um jeito mais maduro”, concluiu.









