O paraguaio Adolfo Daniel Vallejo causou polêmica em Roland Garros ao fazer declarações machistas sobre a arbitragem feminina depois de sua eliminação na segunda rodada.
Vallejo, que caiu diante do jovem francês Moise Kouame, criticou a atuação da árbitra brasileira Ana Carvalho e disse que partidas com torcida intensa deveriam ser arbitradas por homens.
“Esse tipo de partida deveria ser arbitrado por um homem. É muito difícil que uma mulher tenha a força para ir contra um público tão intenso,” declarou o paraguaio em entrevista registrada pelo site Clay Tennis.
As declarações geraram reação imediata nas redes sociais e entre jornalistas que cobrem o torneio. A arbitragem feminina é uma presença consolidada no circuito há décadas — e as árbitra de cadeira são avaliadas pelos mesmos critérios de competência e desempenho que seus colegas homens, independentemente do clima da partida ou do comportamento da torcida.
Marijana Veljovic, por exemplo, é considerada uma das melhores árbitra do circuito e já apitou finais de Grand Slam com atmosferas muito mais hostis do que qualquer partida de segunda rodada.
Vallejo, 71º do mundo, aparentemente direcionou sua frustração pela derrota à árbitra em vez de assumir a responsabilidade pelo resultado. O paraguaio acusou Carvalho de não controlar o público francês, que torceu de forma intensa para Kouame ao longo da partida.
Em vez de reconhecer a dificuldade de jogar como visitante em Paris — realidade que todos os tenistas estrangeiros enfrentam em Roland Garros —, optou por questionar a capacidade da árbitra com base no gênero.
A organização de Roland Garros e a WTA não se pronunciaram até o momento sobre as declarações. Vallejo pode enfrentar consequências disciplinares dependendo da repercussão — a ATP tem regras contra conduta que desrespeite oficiais de arbitragem, e declarações discriminatórias podem resultar em multas ou sanções adicionais.












