Pela primeira vez, Jannik Sinner elevou o tom contra Roland Garros, se juntando a um número crescente de tenistas que tem feito declarações duras contra o Grand Slam, com alguns falando inclusive num boicote.
Numa coletiva em Roma, o número 1 do mundo deu as declarações mais contundentes até hoje sobre a disputa entre jogadores e organizadores dos Grand Slams em relação à premiação — e usou uma palavra que resume o sentimento no vestuário: desrespeito.
“Trata-se de respeito. Acho que damos muito mais do que recebemos. E não falo só dos melhores — é para todos os jogadores e jogadoras, porque o circuito masculino e o feminino estão juntos neste tema,” disse Sinner. “Tanto o top 10 masculino quanto o feminino escrevemos uma carta. Não é nada agradável ver que, depois de um ano, não estamos nem sequer perto da conclusão que gostaríamos de alcançar.”
O italiano foi incisivo ao comparar o tratamento do tênis com o de outros esportes. “Em outros esportes, quando os melhores do mundo se reúnem para enviar uma carta tão importante, acho de verdade que você não só obteria uma resposta em 48 horas, como também uma reunião para conversar sobre tudo isso,” disse ele.
“Estamos falando de dinheiro, e o mais importante é sentir-se respeitado. E nós não nos sentimos respeitados. Os jogadores estão um pouco decepcionados com o que Roland Garros fez.”
Sinner falou ainda sobre a possibilidade de um boicote, tema levantado por Aryna Sabalenka no início da semana e endossado por Elena Rybakina e Jasmine Paolini nos dias seguintes.
“Entendo os jogadores que falam em boicote, porque é algo de que temos que começar a falar, sem dúvida. Levamos muito tempo assim,” disse ele. “É a primeira vez que sinto que todos os jogadores estão no mesmo ponto e compartilham a mesma visão. E acho que é o correto: sem nós, sem os jogadores, não há torneios.”
Perguntado diretamente se consideraria não jogar um Grand Slam caso a situação não mude, Sinner foi cauteloso mas não descartou a possibilidade.
“É difícil dizer. Não posso adivinhar o futuro. Ao mesmo tempo, acho que temos que começar por algum lugar. Entendo quem diz que não jogaria. Vi todas as coletivas, e sei que não sou o único. Também nós respeitamos os torneios, eles nos fazem maiores como esportistas, somos neutros nisso. Veremos o que acontece.”
Sinner estendeu a cobrança para os demais Grand Slams, deixando claro que os tenistas esperam uma postura diferente de Wimbledon e do US Open.
“Nas próximas semanas também conheceremos a premiação de Wimbledon, que esperamos de coração que seja muito melhor. Depois virá o US Open,” disse ele.












