João Fonseca vai enfrentar o russo Roman Safiullin na terceira rodada de Wimbledon, numa partida inédita no circuito profissional.
depois do russo ter superado o holandês Botic van de Zandschulp.
Fora do top 100, o russo pode parecer um obstáculo acessível no papel, mas seu histórico na grama – e especialmente em Wimbledon – mostra que ele pode ser um adversário perigoso.
Nascido em Podolsk, na Rússia, Safiullin tem 28 anos e é filho de pai tártaro e mãe russa. Sua projeção começou cedo: foi uma das grandes promessas do circuito juvenil, chegou a número 2 do mundo entre os juniores e conquistou o título de simples do Australian Open juvenil em 2015 – no mesmo período em que, num torneio de destaque na categoria de base, o Trofeo Bonfiglio, venceu ninguém menos que Andrey Rublev na final.
Apesar do talento precoce, a transição para o profissional foi lenta e trabalhosa: o russo passou anos “ralando” no circuito Challenger antes de despontar entre a elite e começar a jogar os grandes torneios.
O grande salto veio justamente em Wimbledon, em 2023. Vindo do qualificatório e ranqueado fora do top 90, Safiullin protagonizou uma campanha surpreendente e chegou às quartas de final do Grand Slam londrino – o melhor resultado de sua carreira em Majors.
No caminho, derrotou nomes como Denis Shapovalov e, curiosamente, o próprio Roberto Bautista Agut, o mesmo espanhol que Fonseca bateu na estreia desta edição. A campanha só parou nas quartas, diante de Jannik Sinner. Foi o trampolim para o russo alcançar, em janeiro de 2024, o melhor ranking da carreira: 36º do mundo.
Naquele período, entre 2023 e 2024, Safiullin colecionou vitórias de peso. Bateu Stefanos Tsitsipas para chegar à sua primeira semifinal de ATP, em Marselha, e depois surpreendeu Carlos Alcaraz – então número 2 do mundo – no Masters de Paris, no maior triunfo de sua carreira. Ele também tem vitórias sobre Alexander Zverev e Frances Tiafoe no currículo.
Apesar disso, o russo nunca conquistou um título de nível ATP: seus 27 troféus profissionais vieram todos no circuito Challenger e ITF. Sua maior final de ATP foi em Chengdu, em 2023.
O momento atual é de reconstrução. Safiullin caiu para fora do top 100 após uma sequência de resultados irregulares e problemas físicos, e vive em 2026 uma temporada de altos e baixos.
Para Fonseca, o duelo é uma oportunidade e um teste ao mesmo tempo. O russo não tem a regularidade de um top 30, mas é um jogador perigoso na grama, com experiência de quem já foi às quartas de Wimbledon e bateu campeões de Grand Slam.











