Mais do que uma vitória, Grigor Dimitrov conquistou em Wimbledon algo que parecia perdido: a alegria de competir.
O búlgaro superou o italiano Matteo Berrettini numa espetacular batalha de cinco sets, garantiu vaga nas oitavas de final e, na entrevista coletiva, deixou claro que atravessa um de seus melhores momentos dentro e fora das quadras — mesmo aos 35 anos e depois de meses conturbados.
Há poucas semanas, Dimitrov sequer tinha vaga garantida na chave principal: fora do top 100, precisou de um convite do All England Club e chegou a se preparar para disputar o qualificatório.
Agora, após eliminar Berrettini, enfrentará o britânico Arthur Fery com a sensação de ter recuperado algo maior do que o próprio tênis — a vontade de jogar.
“Sempre acredito no destino, mas neste momento só tento viver o presente. É a única coisa que tenho tentado fazer cada dia que entro em quadra,” disse ele. “O resultado, por mais clichê que soe, passou a segundo plano. O importante para mim é que estou me apaixonando de novo pelo tênis e por tudo o que cerca este esporte, depois de tudo o que vivi nos últimos doze meses. Agora simplesmente vou dia a dia.”
Essa serenidade, segundo ele, o deixaria em paz independentemente do placar. “Estou orgulhoso de como estou lidando com tudo isso. Mesmo se tivesse perdido hoje, também me sentiria orgulhoso, porque sabia que tinha dado absolutamente tudo o que tinha,” disse. “Há uma linha muito tênue entre ganhar e perder. Quando você ganha, analisa os pequenos detalhes que fez bem; quando perde, só enxerga os grandes erros. É preciso encontrar um equilíbrio entre as duas coisas.”
Dimitrov também explicou como conseguiu virar o duelo contra Berrettini no set decisivo.
“No terceiro e no quarto sets eu quase não conseguia fazer nada, porque ele estava jogando melhor, mas sempre havia um pequeno canto na minha cabeça dizendo que talvez eu tivesse uma chance no quinto — um let, uma devolução, um saque ruim dele. Aos poucos você constrói essa fortaleza mental e, quando chegam os momentos decisivos, fui capaz de usá-la. Essa foi a diferença.”
Por fim, o búlgaro revelou o grande objetivo que ainda persegue nesta reta da carreira, ao lado do treinador Jamie Delgado.
“Não sei quantos anos ainda vou jogar, ninguém sabe, mas agora ou nunca era o momento de dar esse último grande impulso à minha carreira,” disse ele. “Minha trajetória foi muito turbulenta, com muitos altos e baixos, mas também vivi momentos incríveis que sempre vou lembrar. Enquanto eu seguir jogando, quero continuar me presenteando com esses momentos. Jogo por amor ao tênis, pela minha família, pelos meus torcedores, por toda a gente que esteve comigo, especialmente nos meses mais difíceis. É nessas horas que você descobre quem está realmente ao seu lado, e por isso serei sempre grato.”











