Logo após superar Stefanos Tsitsipas na segunda rodada em Montreal, João Fonseca entrou no debate sobre a proposta de Novak Djokovic para encurtar as partidas. Em tom leve, o brasileiro disse que entende os argumentos do sérvio, mas não resistiu a uma provocação sobre a idade do 24 vezes campeão de Grand Slam. Ao mesmo tempo, reforçou que a tradição dos sets de seis games faz parte da essência do esporte.
A discussão ganhou força nas últimas semanas. Djokovic defende a adoção de sets até quatro games, sem vantagens — com ponto decisivo no 40-40 — e a manutenção do melhor de cinco nos Grand Slams. A ideia, segundo ele, encurtaria os duelos para algo próximo de duas horas, aliviaria a carga física dos jogadores e daria previsibilidade à programação de torneios e emissoras.
Fonseca evitou carimbar a sugestão como certa ou errada. Lembrou que já viveu a experiência dos sets curtos no Next Gen ATP Finals de 2024, competição que consagrou um de seus principais títulos até aqui, e admitiu que o formato mais enxuto traz ritmo e engajamento. Ainda assim, ponderou que mudanças estruturais pedem cuidado: para o brasileiro, a identidade do tênis está atrelada, há gerações, às parciais de seis games.
Dois meses depois de ter virado uma batalha de cinco sets contra Djokovic em Roland Garros, o carioca vê a questão sob dois ângulos. De um lado, reconhece os benefícios práticos da proposta. De outro, sustenta que o esporte não deve abrir mão de pilares históricos só para acelerar o espetáculo. Entre um ponto e outro, sobrou espaço para a brincadeira com o físico do sérvio — indicativo, segundo Fonseca, de que jogadores mais experientes tendem a buscar alternativas para administrar melhor o calendário.
“A verdade é que me saí muito bem jogando sets de quatro games no Next Gen Finals, então não posso reclamar. Mas acho que o Novak diz isso por causa do físico dele… porque ele está ficando mais velho (risos). Além disso, acho que o tênis de seis games por set faz parte da história desse esporte. É o tênis clássico e penso que é importante manter essa tradição. Embora, como eu disse, eu tenha tido bons resultados com o outro formato”, disse o brasileiro.
Na prática, a sugestão de Djokovic concentra diferentes interesses. Jogadores, fãs e organizadores já tiveram contato com formatos alternativos em eventos como o Next Gen, e parte da nova geração enxerga vantagens competitivas nas partidas mais curtas. Ao mesmo tempo, permanece forte a corrente que valoriza o desenho tradicional, sobretudo nos maiores palcos do circuito.











