Os maiores nomes do tênis mundial se uniram numa frente rara contra Roland Garros. Jannik Sinner, Carlos Alcaraz, Aryna Sabalenka e Coco Gauff estão entre os jogadores que assinaram uma carta formal à Federação Francesa de Tênis nesta segunda expressando “profunda decepção” com a premiação do Grand Slam parisiense para 2026.
O estopim foi o anúncio de Roland Garros, em 16 de abril, de um aumento de 9,5% na premiação total — um recorde para o torneio, segundo a organização.
Para os jogadores, no entanto, o número é injusto. Segundo a carta, o torneio gerou € 395 milhões em receitas em 2025, um crescimento de 14% em relação ao ano anterior. A premiação, no entanto, subiu menos do que esse percentual, ampliando a diferença entre o que Roland Garros ganha e o que distribui aos atletas.
Os jogadores reivindicam uma fatia de 22% da receita dos torneios de Grand Slam, o que os colocaria no mesmo patamar dos nove Masters 1000 organizados pela ATP e WTA.
A demanda não é nova. Desde março de 2025, os tenistas enviaram duas cartas coletivas aos quatro Grand Slams pedindo aumento na premiação, criação de um fundo de bem-estar para jogadores — cobrindo aposentadoria e licença-maternidade — e participação nas decisões que afetam diretamente suas carreiras.
A campanha foi coordenada por Larry Scott, ex-presidente da WTA, que tem atuado como intermediário entre os jogadores, seus agentes e os organizadores dos Grand Slams. Reuniões aconteceram em Roland Garros e no US Open ao longo de 2025, e os jogadores sentiram que houve avanços em Nova York — onde a premiação subiu 20%, impulsionada pelo novo formato de duplas mistas — e no Australian Open, com aumento de 16%. Roland Garros, na visão do grupo, ficou para trás.
Entre os homens que assinaram a carta estão Sinner, Zverev, Alcaraz, Fritz, Ruud, Medvedev, Rublev, Tsitsipas e De Minaur. Djokovic assinou a primeira carta, mas não teria assinado a segunda nem esta mais recente, embora tenha sido um dos primeiros a levantar publicamente a bandeira da valorização dos jogadores — criando, em 2021, a PTPA (Professional Tennis Players Association), da qual se afastou no início deste ano.
O movimento não tem ligação formal com a PTPA, e muitos dos signatários — incluindo Alcaraz e Zverev — fizeram questão de manter distância da campanha jurídica da entidade, que processou diversas organizações do tênis em 2025. O grupo usa internamente os nomes “Project Red Eye” e “Fair Share”.
A PTPA, em um dos processos movidos contra os organizadores do US Open, mostrou um dado que ilustra a disparidade: “Em 2024, o US Open faturou US$ 12,8 milhões vendendo um único coquetel especial — mais do que pagou aos dois campeões de simples juntos.”












