A pressão dos jogadores sobre Roland Garros surtiu efeito. Segundo reportagem do jornal britânico The Times, a organização do Grand Slam aceitou negociar as reivindicações dos tenistas e buscar soluções pactuadas nas próximas semanas.
Com o compromisso de diálogo firmado, não são esperadas novas ações de protesto por parte dos jogadores durante o torneio, que começa neste domingo.
A notícia é uma virada significativa no conflito que dominou as semanas pré-Roland Garros. Desde o Masters de Roma, quando Sabalenka falou abertamente em boicotar Grand Slams e Sinner disse que os jogadores “não se sentem respeitados,” a tensão entre atletas e organizadores só cresceu.
Na sexta-feira, durante o Media Day, os 20 melhores jogadores do mundo cumpriram a ameaça de limitar suas coletivas a 15 minutos e recusar entrevistas adicionais – o primeiro protesto coordenado da história num Grand Slam.
A Federação Francesa de Tênis havia mantido, até quinta-feira, a posição de que a premiação de 2026 estava definida e não seria alterada. Amélie Mauresmo, diretora do torneio, disse que os valores não mudariam para esta edição, mas que “tudo o que vem dos jogadores está sendo levado a sério.”
Na sexta-feira, uma reunião entre representantes dos jogadores e da FFT aconteceu conforme programado, e foi ali que, segundo o The Times, os organizadores aceitaram abrir negociações formais.
Os jogadores reivindicam uma fatia de 22% da receita dos Grand Slams – atualmente em torno de 15% – além de contribuições para fundos de previdência, saúde e licença-maternidade.
A premiação de Roland Garros em 2026 é de € 61,7 milhões, um aumento de 9,5% em relação a 2025, mas os tenistas argumentam que as receitas do torneio cresceram 14% no mesmo período – ampliando a distância entre o que Roland Garros ganha e o que distribui.
A aceitação de Roland Garros em negociar não significa que as demandas serão atendidas integralmente – mas o simples fato de sentar à mesa já é uma conquista inédita para os jogadores. A premiação de Wimbledon, que ainda não foi anunciada, e do US Open serão os próximos testes. Se os outros Grand Slams seguirem o caminho de Paris, o tênis pode estar diante da maior mudança estrutural na relação entre jogadores e organizadores em décadas.












