Ben Shelton protagonizou a maior zebra do segundo dia de Wimbledon. Um dos favoritos da metade de baixo da chave, o americano foi eliminado logo na primeira rodada pelo finlandês Otto Virtanen, num duelo dramático decidido no super tiebreak do quinto set, por 6/4, 3/6, 6/7 (8), 6/2 e 7/6 (9).
Shelton chegou a desperdiçar um match point no desempate final, no 9-8, antes de ver a virada se concretizar.
A partida foi um retrato das dificuldades do americano na grama. Mesmo com o saque funcionando como sempre – sua maior arma –, Shelton não encontrou soluções a partir da troca de fundo de quadra, abusando de subidas à rede mal calculadas e de direitas fora de hora.
Virtanen, sólido como poucas vezes em sua carreira, soube resistir e aproveitou as margens mínimas que decidem esse tipo de jogo. Para o finlandês, foi a primeira vitória sobre um top 10 na carreira – e por um detalhe: uma direita paralela que escapou por centímetros quando Shelton tinha o match point a favor.
Com Carlos Alcaraz fora por lesão, Jannik Sinner na outra metade da chave e Alexander Zverev em fase irregular na grama, muitos viam em Shelton o grande favorito daquele lado do torneio – uma oportunidade de ouro para alcançar a primeira final de Grand Slam da carreira.
A pressão, somada à pouca paciência para construir os pontos e à incapacidade de incomodar os adversários na devolução, mais uma vez cobrou seu preço.
O tropeço também escancara um 2026 decepcionante do americano nos grandes torneios. Apesar do bom momento na grama – com título em Stuttgart e quartas de final em Halle –, Shelton acumula resultados muito abaixo do esperado nos Slams e Masters 1000: sua única presença em quartas de final foi no Australian Open, no início do ano, seguida por uma sequência de eliminações precoces.











