Wimbledon tem aumento relevante na premiação, cedendo à pressão dos tenistas

Wimbledon anunciou hoje um aumento expressivo na premiação da edição deste ano, expandindo o valor total que será pago aos tenistas em 20%, em comparação com a edição passada. 

Com isso, a premiação total do torneio vai chegar a £ 64,2 milhões (cerca de US$ 85,8 milhões no câmbio de hoje). O reajuste acontece em meio à campanha de um grupo de tenistas por uma fatia maior da receita dos Grand Slams.

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Os campeões de simples levarão £ 3,6 milhões cada – também um aumento de 20% em relação ao ano passado. Os eliminados na primeira rodada receberão £ 80 mil, e mais de £ 6 milhões foram reservados para o qualificatório, uma alta de 25%. No total, a premiação cresceu £10,7 milhões em relação a 2025.

Apesar do reajuste significativo, o valor ficou abaixo do que os jogadores esperavam. O grupo que lidera as negociações desejava algo próximo de £ 71,7 milhões. A reivindicação dos tenistas é que os quatro Grand Slams paguem, ainda neste ano, 16% de sua receita em premiação. Além disso, pedem contribuições para um fundo de benefícios e maior participação nas decisões sobre como os torneios são administrados.

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A direção do All England Club discorda do princípio de vincular a premiação à receita do torneio, argumentando que boa parte desse dinheiro precisa ser reinvestida no próprio campeonato. Os dirigentes apontam um modelo de negócios bem-sucedido que permitiu mais do que dobrar a premiação dos jogadores na última década – e não gostam das sugestões de que estariam explorando os atletas “como donos de fábrica da era vitoriana.”

O clube também lembra que, durante a pandemia, distribuiu voluntariamente £ 10 milhões em premiação a 620 jogadores que teriam disputado a edição de 2020, cancelada por causa da covid-19.

A questão ganhou força nas últimas semanas. Em Roland Garros, um aumento de 9,5% na premiação não foi suficiente para parte dos jogadores, que limitaram suas obrigações com a imprensa a 15 minutos em protesto. Assim como o AELTC, a Federação Francesa de Tênis também rejeita a ideia de vincular premiação à receita. “Acredito que esses números não são os que deveríamos realmente analisar, mas teremos essa discussão com os jogadores,” disse a diretora do torneio, Amélie Mauresmo. “Todos precisam dar um passo em direção ao outro, e teremos que mudar a mentalidade. Vamos precisar de boa vontade de todos.”

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A pressão tende a aumentar com o US Open. A federação americana ofereceu US$ 90 milhões (£ 67,2 milhões) no ano passado, com aumento de 20%, e o valor da edição de 2026 – que começa em 30 de agosto – deve ser anunciado logo após Wimbledon. A expectativa é que ultrapasse confortavelmente a marca dos US$ 100 milhões, podendo até superar a reivindicação dos jogadores de que a premiação represente 16% da receita do torneio.

Os tenistas vêm ganhando poder de barganha nas negociações e têm usado como argumento o novo formato de duplas mistas do US Open, repleto de estrelas. A avaliação é que a competição é mais importante para o sucesso comercial da “Fan Week” do torneio do que para muitos dos próprios jogadores – que podem precisar chegar antes do previsto, já que o evento acontece na semana anterior à chave principal.



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