João Fonseca terá pela frente, em Cincinnati, um adversário dono de uma trajetória fora do comum.
O australiano Christopher O’Connell avançou após a desistência de Casper Ruud e será o próximo rival do carioca no Masters 1000. Antes de retomar a carreira e voltar ao Top 100, ele chegou a abandonar o circuito e trabalhar limpando barcos em Sydney para “desligar” do esporte.
O episódio ocorreu em 2018, em meio a uma sequência de lesões. O’Connell conta que cogitou dar aulas e clínicas, mas preferiu se afastar totalmente do ambiente das quadras. “Já contei essa história muitas vezes, talvez até mais do que deveria”, disse, em tom bem-humorado, ao relembrar o período.
Segundo o australiano, a pausa virou um ponto de virada pessoal. “Lembro de mim trabalhando na minha cidade e vejo onde cheguei hoje. Ao mesmo tempo em que acredito, ainda parece inacreditável. Quero ficar por aqui por muito tempo”, afirmou, ao comentar a mudança de rumo na carreira.
O plano de O’Connell foi morar perto da baía de Sydney com o irmão, Ben, que o chamou para ajudar na limpeza de embarcações. “Pensei: ‘Perfeito, não preciso ensinar forehand para ninguém, vou só lavar barcos e tocar a vida’. Fazia isso de manhã e à tarde, e depois seguia de bicicleta até a baía. Foram alguns meses, de fevereiro a junho”, recordou.
Ele admite que a escolha custou no bolso, mas era o que precisava naquele momento. “O dinheiro era curto e muita gente disse que eu estava louco, porque como treinador ganharia bem mais. Só que eu não queria nem entrar em quadra”, relatou.
Hoje com o atual número 129 do ranking e ex-53º do mundo em setembro do ano passado, O’Connell cruza o caminho de Fonseca pela primeira vez no circuito.
Contra brasileiros, soma três vitórias e quatro derrotas, a última diante de Thiago Wild em 2023, na Basileia. Diante de jogadores do Top 50, tem retrospecto negativo, o que dá a medida dos desafios que costuma encarar nos grandes palcos.












