Os principais tenistas do circuito confirmaram hoje que realizarão um protesto coordenado contra a imprensa durante Roland Garros.
A medida, que envolve os 20 melhores jogadores e jogadoras do mundo, inclui limitar as coletivas de imprensa pré-torneio a 15 minutos, recusar entrevistas à mídia credenciada do torneio e aos detentores de direitos de transmissão – TNT Sports e Eurosport –, além de restringir a interação nas redes sociais.
Os jogadores seguirão fazendo apenas as flash interviews obrigatórias após as partidas para evitar multas.
O grupo é liderado por Novak Djokovic, Jannik Sinner, Aryna Sabalenka e Coco Gauff, e a ação é uma extensão do movimento que ganhou força nas últimas semanas, quando cartas formais foram enviadas à Federação Francesa de Tênis (FFT) e declarações públicas sobre um possível boicote aos Grand Slams dominaram as coletivas em Roma.
A motivação é a mesma: os jogadores reivindicam uma parcela maior da receita dos Grand Slams. Atualmente, os torneios distribuem cerca de 15% da receita em premiação – percentual que caiu de 15,5% em 2024 para 14,9% projetados em 2026, segundo os tenistas. Em outros esportes, atletas recebem entre 40% e 50% da receita total. Nos próprios Masters 1000, organizados pela ATP e WTA, a fatia dos jogadores já chega a 22%.
A FFT reagiu lamentando a decisão. “Lamentamos a iniciativa dos jogadores, que penaliza todos os envolvidos no torneio: a mídia, os transmissores, a equipe da federação e toda a comunidade do tênis que acompanha cada edição de Roland Garros com grande entusiasmo,” disse um porta-voz em comunicado à Associated Press.
A federação disse ainda que propôs uma reunião com representantes dos jogadores para esta sexta-feira, dia 22, e que “está pronta para um diálogo direto e construtivo sobre questões de governança, com o objetivo de dar aos jogadores maior participação nas decisões.”
Naturalmente, a notícia caiu mal entre os veículos de comunicação que cobrem o torneio presencialmente. O jornalista José Morón, do site espanhol Punto de Break – uma das principais referências de cobertura de tênis na Europa –, publicou um artigo com tom de indignação.
Morón argumentou que a medida prejudica diretamente os jornalistas, e não o torneio. “Em que isso pode afetar Roland Garros ou Amelie Mauresmo se Sabalenka, Djokovic ou Sinner não falarem com a imprensa além de 15 minutos? Eu digo: em nada,” escreveu. Para o jornalista espanhol, os jogadores escolheram como alvo do protesto justamente quem não tem poder de decisão sobre a distribuição de receitas – a imprensa – enquanto os organizadores seguem intocados.
Roland Garros começa no domingo, dia 24. O Media Day, quando o protesto será posto em prática pela primeira vez, acontece na sexta-feira.












